Estrangeiros que desembarcam no Brasil com o objetivo de abrir um negócio podem não achar tanta graça na terra do samba e do Carnaval. Diante da burocracia e da demora para abrir uma empresa, o país parece combinar mais com chorinho e Quarta-feira de Cinzas.
"É preciso ter muita paciência. São muitos os papéis exigidos, e cada etapa demora demais. Se você se esquecer de um papel no meio do caminho, tem de começar tudo de novo", diz Daniel Hatkoff, 28, norte-americano que demorou nove meses para abrir a Pitzi, empresa de seguros para celulares.
Apesar dos obstáculos enfrentados nas instituições e cartórios brasileiros, a sexta economia mundial atrai cada vez mais investidores estrangeiros. De acordo com o Ministério do Trabalho, no ano passado, do total de 70.524 estrangeiros que conseguiram um visto de trabalho no Brasil, 1.020 foram destinados a pessoas físicas que vieram para investir -esse número representa um aumento de 20% em comparação com 2010.
Dados mais recentes do ministério revelam que, no primeiro trimestre deste ano, foram concedidos 212 vistos para investidores estrangeiros, que aplicaram no país R$ 41,3 milhões. Neste ano, os italianos lideram o ranking de investimentos (com R$ 9,5 milhões), seguidos por chineses (R$ 8,6 milhões), portugueses (R$ 8 milhões) e franceses (R$ 3,2 milhões).
PARA TODOS
Para conseguir um visto como investidor no Brasil, o estrangeiro precisa -além de paciência- comprovar a aplicação de pelo menos R$ 150 mil e a contratação de profissionais brasileiros.
De acordo com Jenesi Figueiredo, sócio da FK Consultoria, especializada em abertura de empresas para estrangeiros, após a entrega da documentação no Ministério do Trabalho, o visto "sai relativamente rápido", em até 45 dias. "A nossa burocracia atinge a todos, não apenas os estrangeiros."
O problema é reunir a papelada -e é por isso que há quem recomende a contratação de escritórios especializados, que reúnem advogados, contadores e despachantes. O valor cobrado de um estrangeiro que queira abrir um negócio no país varia de R$ 8.000 a R$ 15 mil.
"Quando comparamos com países europeus e asiáticos, o Brasil é mais burocrático. Para abrir um hotel, são necessárias aproximadamente 40 licenças", diz Nazir Takieddine, sócio do Trench, Rossi e Watanabe Advogados.
"No Brasil, é básico ter um despachante", ironiza o francês Jean-Luc Senac, fundador da empresa Evolucard, de pagamentos on-line.
Senac mora no Brasil há 14 anos e diz gostar daqui -"É um país que cresce muito e que sempre está bem-humorado"-, mas critica a burocracia e a falta de mão de obra. "Já gastei muito dinheiro com despachantes, tenho um diferente para cada tipo de trâmite", comenta.


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